Novo ano, nova carta e a mesma identidade que faz do Farol Hotel um dos endereços gastronómicos mais interessantes. A nova carta do Farol Hotel chega com uma abordagem simultaneamente sofisticada e confortável, onde o produto é tratado com respeito, técnica e criatividade, sem excessos nem artifícios desnecessários.
Sob a liderança do chef executivo Sebastian Fritye, com Rafaela Reis a assinar as sobremesas, há uma clara aposta na sazonalidade, no mar como ponto de partida e em apontamentos de luxo bem integrados, como a trufa melanosporum, sempre usada com propósito. É uma carta que convida a ir com tempo (para aproveitar a magnífica vista), a partilhar, a provar mais do que um prato e a deixar-se surpreender. Confirma uma cozinha segura. Existe técnica, com produtos premium e uma clara preocupação em criar pratos que façam sentido, tanto para quem procura conforto como para quem valoriza uma experiência gastronómica mais refinada.
Entradas que abrem o apetite
A entrada BTO – 25/26 apresenta uma mistura de cogumelos frescos salteados com trufa fresca melanosporum, batata crocante e ovo cozido a baixa temperatura. É um início profundamente reconfortante. O molho béarnaise aromatizado com molho de porco preto e boletos em pó acrescenta profundidade, sem se tornar pesado.
Na cataplana de bivalves e codium, o mar fala mais alto. Lingueirão, amêijoa, ostra e mexilhões repousam sobre uma cama de alga codium, cozinhados na cataplana com vinho branco, alho e coentros, apenas até abrirem. Um prato de sabor puro e elegante.
O langosi com recheio de sapateira traz um interessante cruzamento cultural. A massa de fermentação lenta, frita e temperada com crème fraîche e parmesão, típica da Roménia e Hungria, encontra a tradicional pasta de sapateira portuguesa num diálogo inesperado.
Já a salada asiática de vermicelli com camarão panado aposta no contraste. Massa de arroz temperada com molho ponzu, um caldo de camarão cremoso, notas cítricas bem marcadas e um toque apimentado, tudo equilibrado pela textura crocante da tempura de camarão.
Peixe e marisco em grande plano
O robalo grelhado com xerém de lingueirão é um prato de conforto elevado à sua melhor versão. O peixe vem no ponto certo, com pele crocante, acompanhado por um xerém cremoso, intenso e profundamente ligado à tradição algarvia.
O polvo grelhado, parmentier de salsa trufado com migas de broa, couve e castanha é a interpretação do clássico polvo à lagareiro. O toque de trufa acrescenta sofisticação, sem apagar a memória do prato original.
No malandrinho de bacalhau, sames e kokotxas, encontramos um arroz envolvente, finalizado com coentros, claramente inspirado na açorda alentejana. Um prato cheio de identidade e sabor. Talvez tenha sido o prato que mais me surpreendeu, até porque não aprecio bacalhau seco, mas este prato está inesquecível, o malandrinho perfeito, perfeito!
O pregado à Meunier merece destaque especial. Pensado para duas pessoas, este peixe com cerca de 1 kg chega acompanhado por batatas ratte confitadas em azeite e alho, legumes frescos da época salteados e um molho clássico de manteiga, limão e camarão. Um prato de celebração, simples na forma e irrepreensível na execução. Outro prato que deixa muitas saudades!
Carne com carácter e elegância
A lasanha trufada de gamo em duas texturas apresenta massa fresca de cogumelos, perna de gamo estufada durante cerca de seis horas em vinho tinto e tomilho, e um lombinho cozinhado a baixa temperatura. Tudo finalizado com trufa melanosporum, num conjunto profundo e intenso.
Para quem procura algo mais clássico, o entrecôte grelhado de Angus do Nebraska, com 400 g, não desilude. Vem acompanhado por batata frita caseira de batata agria, maionese do chef com malagueta fumada (chipotle), maionese de ovo estrelado com guanciale e um molho béarnaise trufado. Um prato indulgente, pensado para verdadeiros apreciadores. Se gostam de carne, este prato é obrigatório! Quem comeu, afirmou que estava perfeito!
Sobremesas que fecham com chave de ouro
Para além das novidades, há doces que permanecem na carta e que continuam a definir a identidade do restaurante, verdadeiros clássicos que os clientes pedem e repetem.
Uma das novidades é o cannelloni de requeijão e abóbora com gila e sorbet de laranja. É delicado e equilibrado. O requeijão de ovelha alentejano, o doce de gila caseiro e a frescura do sorbet criam um final leve e elegante. Uma combinação que não falha! Repeti esta sobremesa, diga-se!
A segunda novidade, um cheesecake japonês de yuzu, cozido em banho-maria, é etéreo e aromático. A esferificação de citrinos, o crumble e as lascas de coco tostadas acrescentam textura e frescura.
Já o parfait de chocolate, trufa e gelado de baunilha é a escolha certa para quem gosta de terminar em modo intenso. Mousse de chocolate de Madagáscar com trufa melanosporum, gelado de baunilha e uma “bolo esponja” de rum Bumbu de Barbados compõem uma sobremesa rica e bem estruturada.
Mantém-se também o The Mix com Tradição, um trio de doces portugueses que celebra a memória e o receituário nacional: arroz doce, pudim Abade de Priscos, e farófias com creme inglês e raspa de limão mão de Buda – servido com aguardente velha. Um final reconfortante, pensado para quem aprecia tradição com elegância.
O crème brûlée é outro dos intocáveis da carta. Confecionado com baunilha de Madagáscar, apresenta uma crosta fina e estaladiça de açúcar caramelizado e um interior sedoso, profundamente perfumado. Um clássico da pastelaria francesa elevado pela precisão técnica, onde a simplicidade encontra a perfeição. Segundo Rafaela Reis, responsável pelas sobremesas, é cozinhado a 90 ºC, durante 42 minutos, o que lhe confere uma textura aveludada e absolutamente viciante. Não é por acaso que é um dos pratos mais pedidos do restaurante. Sendo um dos motivos pelos quais não abandona a carta, acho que os clientes ficariam tristes.
Não posso deixar de referir ainda os crepes Suzette, flamejados com Grand Marnier, servidos com raspa de laranja cristalizada, folha de ouro e sorbet de toranja. Um clássico intemporal e delicioso que encerra qualquer refeição com elegância.
Sushi Moment: precisão japonesa com vista para o Atlântico
Imperdível no Farol Hotel é também o Sushi Moment. Aqui, cada prato revela técnica, sensibilidade e uma abordagem contemporânea que surpreende sem descaracterizar.
Sob a orientação do sushi master Francisco Braga, cada detalhe é tratado com rigor e respeito pela essência dos sabores. A vista sobre o mar cria o cenário perfeito para uma experiência sensorial completa, onde o tempo abranda e o Atlântico acompanha cada criação.
Entre as provas, destaque para a 3 Fish Salad, com atum, salmão e peixe branco marinados em ponzu e lima, cebola roxa, coentros e molho do chef, uma opção fresca e equilibrada. As gyosas de legumes, delicadas e bem executadas, o temaki de salmão, sempre reconfortante, e a impressionante variedade de sushi e sashimi confirmam a dimensão da carta. O usuzukuri de peixe branco, cortado finíssimo, servido com molho ponzu, pérolas de yuzu e molho de manjericão, é um daqueles pratos que ficam na memória. Dos meus preferidos, tenho de destacar os niguiris de corvina com kizami. A carta é extensa e convida a regressar. E a vista, tenho de reforçar a beleza deste local!
Pequeno-almoço com vista: um privilégio matinal
Para quem valoriza um pequeno-almoço de qualidade, as manhãs começam com uma oferta variada, fresca e cuidada. As panquecas feitas no momento, servidas com morangos frescos e creme de chocolate, são um verdadeiro conforto. Experimentei ainda ovos Benedict; Torrada de Abacate, Salmão fumado e Ovo escalfado; iogurte com granola; fruta fresca; uma seleção generosa de pães, queijos e viennoiseries; compotas; uma infusão de citrinos; sumo natural de laranja e cappuccino.
Encontram também várias opções de pratos quentes preparados na hora. Tudo isto com vista direta para o Atlântico, um privilégio que transforma qualquer manhã num momento especial.
On The Rocks Bar
O bar é um ponto de encontro ao longo de todo o ano. No verão, a esplanada convida a cocktails ao pôr do sol. No inverno, o interior acolhe com um charme clássico e um ambiente descontraído, perfeito para conversas longas, sempre com vista para o atlântico e ao espetáculo de ondas.
Provei cocktails de autor e mocktails, sempre com o som do mar como pano de fundo. A carta inclui ainda uma vasta seleção de petiscos e pratos quentes. Não resisti aos churros quentinhos com duas opções: doce de leite e creme inglês.
O regresso do icónico Coconuts
Outra das grandes novidades do hotel é o regresso do mítico espaço Coconuts. Se o interior do Farol Hotel se define por um charme intimista e elegância clássica, o Coconuts expande essa experiência para uma escala maior, onde a flexibilidade permite dar asas à imaginação. Com capacidade para acolher até 350 convidados, este espaço icónico impressiona pela sua fachada envidraçada, que se funde com o horizonte e se abre para vistas ininterruptas sobre o Atlântico.
Agradeço ao diretor Nuno Nunes e à Maria João Clemente, pela hospitalidade e simpatia que tornam este lugar verdadeiramente único e fazem com que cada hóspede se sinta especial.
Um agradecimento também à talentosa equipa de cozinha e de sala, do bar e a toda a restante equipa do hotel. A atenção ao detalhe e a dedicação de cada um refletem-se em experiências que ficam na memória e convidam sempre a regressar. Tem uma energia única! É, sem dúvida, um dos meus locais preferidos e deixa muitas saudades!
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