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“É muito perigoso”: nutricionista aponta erro frequente para quem faz jejum intermitente – Notícias de hoje


O jejum intermitente voltou a estar no centro do debate depois de um novo estudo concluir que o método não é mais eficaz do que uma dieta tradicional na perda de peso. O tema foi analisado esta manhã no Diário da Manhã, da TVI, onde a nutricionista e professora de bioquímica Conceição Calhau deixou vários alertas importantes.

Longe de se mostrar surpreendida com os resultados, a especialista explicou que a comparação entre jejum intermitente e restrição calórica não é linear. “A saúde não se mede em quilos”, sublinhou, recordando que perder peso não significa necessariamente melhorar indicadores metabólicos.

O problema das “dietas da moda”

Conceição Calhau destacou que muito do que circula nas redes sociais pouco tem a ver com o conceito científico de jejum intermitente. “O que muitas pessoas fazem é simplesmente saltar o pequeno-almoço e concentrar a alimentação ao final do dia”, explicou, acrescentando que este é precisamente um dos erros mais comuns dos hábitos alimentares atuais em Portugal.

Segundo a especialista, o organismo tem ritmos circadianos, mecanismo reconhecido pela ciência, e a produção de hormonas ao longo do dia influencia a forma como metabolizamos os alimentos. Comer maioritariamente à noite, altura em que muitas famílias fazem a refeição principal, pode contribuir para o aumento de peso.

Além disso, alertou para os riscos da autoprescrição: “É muito perigoso brincar com a saúde.” Saltar refeições, eliminar grupos alimentares ou reduzir drasticamente calorias sem acompanhamento profissional pode levar à perda de massa muscular, défices nutricionais e a um metabolismo mais lento, o chamado “modo de sobrevivência”, em que o corpo passa a gastar menos energia e a acumular mais gordura.

Não é só uma questão de calorias

Durante a entrevista conduzida por Pedro Fernandes, a nutricionista fez questão de desmontar a ideia de que tudo se resume a ingerir menos calorias do que aquelas que se gastam. “A termodinâmica não é assim tão simples”, afirmou, dando o exemplo de duas dietas com igual valor calórico, mas com qualidade nutricional completamente diferente.

Outro ponto frequentemente ignorado, segundo a especialista, é a saúde intestinal. A microbiota tem um papel determinante na saciedade e no controlo metabólico, mas raramente é considerada nas abordagens mais populares ao jejum.

O que faz realmente sentido?

Para Conceição Calhau, a mensagem principal não é abolir o jejum intermitente, mas corrigir hábitos: evitar refeições tardias, respeitar pausas alimentares e privilegiar a qualidade dos alimentos, idealmente dentro do padrão da dieta mediterrânica.

“Devemos comer na primeira parte do dia, com luz”, reforçou, lembrando que o problema não é apenas quando se come, mas também o que se come e em que contexto.

Num cenário em que as redes sociais amplificam soluções rápidas e promessas de resultados imediatos, a nutricionista deixou um apelo claro: antes de aderir a qualquer dieta da moda, procure aconselhamento profissional. Porque, como frisou em direto, a saúde está longe de ser uma equação simples.

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