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A participação das mulheres na atividade inventiva em Portugal atingiu 29,3% no período 2018-2022, colocando o país em primeiro lugar entre as maiores jurisdições da Europa e mais de 10 pontos percentuais acima da média europeia, segundo um estudo publicado pela Organização Europeia de Patentes (OEP).
O relatório elaborado pelo Observatório de Patentes e Tecnologia da OEP indica que a proporção de mulheres inventoras em Portugal aumentou de 26,9% em 2013-2017 para 29,3% em 2018-2022.
O estudo revela que, na Europa, a percentagem de mulheres que figuram entre os inventores nos pedidos de patente aumentou apenas de forma marginal nos últimos anos, atingindo 13,8% em 2022 (face a 13% em 2019). Embora as mulheres estejam cada vez mais presentes em equipas de inventores, continuam a ser muito menos designadas como inventoras individuais, o que evidencia a persistência de barreiras estruturais.
Portugal destaca-se na criação de start-ups com mulheres fundadoras
A disparidade de género é particularmente evidente nas start-ups com atividade de patenteamento. Apenas 13,5% das start-ups com patentes nos países da OEP incluem uma mulher fundadora. Neste contexto europeu, Portugal posiciona-se acima da média. As mulheres representam 15,7% dos fundadores de start-ups portuguesas que detêm pedidos de patente europeia, colocando o país em segundo lugar, apenas atrás de Espanha. Além disso, 22,9% das start-ups portuguesas com atividade de patenteamento incluem pelo menos uma mulher entre os seus fundadores. Os Países Baixos, a Áustria e a Alemanha registam as taxas de participação mais baixas.
As start-ups mais recentes apresentam uma maior proporção de mulheres fundadoras em toda a Europa (14% nas empresas mais jovens face a cerca de 5.9% nas empresas com mais de 20 anos), o que sugere que as start-ups recém-criadas estão a tornar-se mais diversas. No entanto, as empresas cofundadas por mulheres parecem enfrentar maiores desafios ao nível da sua expansão. A representação feminina diminui nas rondas de financiamento mais avançadas. Nos países membros da OEP, as mulheres continuam sub-representadas entre os doutorados com atividade de patenteamento, apesar da sua forte presença ao nível do doutoramento.
O estudo conclui ainda que a investigação conduzida por mulheres apresenta potencial inventivo comparável ao dos homens, sugerindo que a menor participação feminina no patenteamento não se deve à falta de resultados científicos de elevada qualidade, mas a fatores sociais, institucionais e económicos que moldam as oportunidades de carreira.
A participação feminina varia significativamente entre domínios tecnológicos. A indústria farmacêutica (34,9%), a biotecnologia (34,2%) e a química alimentar (32,3%) apresentam as maiores proporções de mulheres inventoras, refletindo a maior presença feminina na investigação ligada às ciências da vida. Em contraste, alguns dos domínios de engenharia mais intensivos em patentes registam os níveis mais baixos: máquinas-ferramenta (5,7%), processos básicos de comunicação (5,5%) e elementos mecânicos (4,9%) situam-se no final da distribuição. As universidades e as organizações públicas de investigação apresentam, de longe, a maior proporção de mulheres inventoras (24,4%), enquanto as pequenas e médias empresas (PME) e os requerentes individuais registam as taxas mais reduzidas de participação feminina.
Este artigo foi escrito no âmbito da colaboração com o Link to Leaders.