PUBLICIDADE

Mulheres são mais qualificadas, mas ainda sofrem desigualdades no emprego – Notícias de hoje


Outros artigos:

Em Portugal, as mulheres são a maioria da população residente, totalizando 5,6 milhões, o que corresponde a 52,2% do total, conforme dados de janeiro de 2024 do Instituto Nacional de Estatística (INE). Esta predominância é especialmente evidente a partir dos 35 anos, chegando a 82% na população com 100 anos ou mais.

Os dados foram avançados, Dia Mundial da Mulher, pela Pordata, a base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que reúne informações sobre a representatividade das mulheres na população, na educação e no emprego, assim como sobre as suas condições de vida, incluindo estrutura familiar, maternidade, saúde, rendimentos e risco de pobreza.

Segundo a Pordata, na área da educação, as mulheres portuguesas alcançaram progressos significativos nas últimas décadas. Atualmente, representam 58% dos diplomados do ensino superior, concentrando-se sobretudo nas áreas de Educação, Saúde e Proteção Social, Ciências Sociais, Jornalismo e Informação, e Ciências Naturais, Matemática e Estatística. Contudo, mantêm-se em minoria nas áreas de Engenharia, Indústrias Transformadoras, Construção e Tecnologias da Informação e Comunicação.

No mercado de trabalho, embora as mulheres constituam mais de metade dos trabalhadores em Portugal, estão em minoria em todos os grupos etários entre os 25 e os 64 anos. A proporção de mulheres a trabalhar a tempo inteiro é de 90%, superior à média da União Europeia (72%), mas inferior à dos homens (95%). Mais de metade das mulheres empregadas concentram-se nos setores da Saúde e Apoio Social, Educação, Comércio e Indústrias Transformadoras. A sua presença tem vindo a aumentar em profissões anteriormente pouco femininas, como nas polícias (de 6% em 2008 para 10% em 2023) e na magistratura judicial (de 39% em 2000 para 67% em 2024).

Além disso, Portugal tem ultrapassado desde 2022 as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para a representatividade feminina em cargos de liderança empresarial. De acordo com a Pordata, em 2024, 34,8% dos cargos de direção executivo e não executivo em empresas cotadas são ocupados por mulheres, acima da meta de 33%, e 44,2% dos cargos de direção não executivos são femininos, face à meta de 40%.

Na política, Portugal apresenta níveis de participação feminina acima da média europeia. Em 2025, as mulheres integravam 38,8% dos órgãos de Governo e 36,5% do Parlamento, superando a média da União Europeia de 31,9% e 33,6%, respetivamente.

Nas condições de vida, mais de dois milhões de mulheres adultas vivem em agregados familiares com composição não padronizada, como filhos maiores, ascendentes ou pessoas sem laços familiares, o que constitui 45% das mulheres. Cerca de 1,2 milhões vivem em casal sem outros membros, 690 mil vivem sozinhas e 685 mil vivem em casal com crianças ou jovens menores.

Em 2024, nasceram 83.772 crianças em Portugal, com um terço das mães a terem mais de 34 anos e apenas 12% com menos de 25 anos. A idade média das mães foi de 31,7 anos, ligeiramente inferior ao máximo de 32,2 anos registado em 2020. Desde 2020, a proporção de bebés nascidos de mães estrangeiras duplicou, passando de 13% para 26%.

Já a taxa de fecundidade é maior no grupo dos 30 aos 34 anos, com 94 mães em cada mil mulheres, mantendo-se essa tendência desde 2004. O grupo dos 35 aos 39 anos apresenta o maior crescimento na última década, elevando-se de 46 para 64 por mil. A esperança média de vida à nascença em 2024 é de 85,4 anos para as mulheres, superior à dos homens (79,8 anos) e à média da União Europeia.

No entanto, as mulheres vivem em média menos anos de vida saudável do que os homens em Portugal, com uma expectativa de 58,3 anos sem problemas de saúde, menos 2,7 anos do que os homens. Este padrão contrasta com a média europeia, onde as mulheres têm maior esperança de vida saudável.

Quanto à disparidade salarial, em 2024 os salários das mulheres nos setores da Indústria, Construção e Serviços (exceto Administração Pública e Defesa) são 7% inferiores aos dos homens, sendo esta a segunda menor diferença registada desde 2006. O risco de pobreza ou exclusão social é maior nas mulheres em todos os grupos etários, chegando a uma diferença de 7 pontos percentuais acima dos 75 anos (29,3% das mulheres contra 22,3% dos homens).

Este artigo foi escrito no âmbito da colaboração com o Link to Leaders

Leia mais

PUBLICIDADE