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As burlas estão a proliferar em aplicações de mensagens privadas, com o Telegram a ser identificado como a fonte de fraude com o crescimento mais acentuado no que diz respeito aos Pagamentos Autorizados em Tempo Real. A conclusão é do quarto Relatório de Segurança do Consumidor e Crime Financeiro, da Revolut, que monitoriza a rápida evolução das táticas dos burlões tanto em Portugal como no resto do mundo. Embora as plataformas da Meta continuem a representar 44% das burlas reportadas, os casos com origem no Telegram dispararam 233%, à medida que os burlões exploram a natureza privada da plataforma para escalar fraudes rapidamente.
Os dados reportados à Revolut apresentam uma mudança clara nas tendências criminais, que passaram das redes sociais tradicionais para as plataformas de mensagens encriptadas. Esta mudança reforça a necessidade urgente de uma responsabilidade multissetorial em todos os ecossistemas digitais e de telecomunicações para proteger os consumidores.
O relatório da Revolut revela que as fraudes com origem no Telegram estão em ascensão, representando agora um quinto das burlas reportadas (21%). Os consumidores podem acreditar que estas plataformas são seguras devido à sua natureza encriptada. No entanto, embora a encriptação seja comercializada como uma funcionalidade de segurança, tornou-se uma ferramenta primordial para os burlões que procuram operar fora do radar. Este ambiente provou ser particularmente eficaz para esquemas complexos, com 58% de todas as burlas de emprego a nível global a terem agora origem no Telegram.
As plataformas da Meta continuam dominantes e, em conjunto, representam quase metade (44%) das burlas globais reportadas à Revolut em 2025, marcando o quarto período consecutivo em que ocupam esta posição. O TikTok, embora apresente um volume de fraudes relativamente baixo quando comparado com plataformas mais estabelecidas, regista agora uma percentagem de burlas iniciadas seis vezes superior à do mesmo período do ano anterior.
Quanto aos tipos de fraude, as burlas de compras mantêm-se como as mais comuns, apesar da natureza mutável das fraudes, enquanto as burlas de emprego cresceram de forma alarmante, aumentando quase três vezes em relação a 2024 e representando agora 22% de todos os casos reportados.
Portugal segue a mesma linha de outros mercados, já que os dados mostram que 25% de todas as burlas reportadas tiveram origem no Telegram, durante o ano de 2025. Durante este período, as burlas de compras revelaram-se a ameaça mais prevalente para os clientes nacionais, representando 53% de todos os casos reportados.
O estudo, realizado pela Juniper Research, revelou que as plataformas de redes sociais geraram cerca de 4,4 mil milhões de euros em receitas provenientes de anúncios fraudulentos que visaram utilizadores europeus apenas em 2025.
Em Portugal, embora as burlas de compras sejam as mais comuns, as burlas imobiliárias resultam nas perdas financeiras mais elevadas. Em 2025, as vítimas de fraude imobiliária perderam, em média, 2.665,32 € por pessoa (em contraste com as burlas de compras, com 388,36 € por vítima).
Neste sentido, a Revolut acolhe com satisfação as novas regulamentações antifraude da União Europeia, bem como a sua estratégia direcionada, especificamente no que diz respeito à fraude em pagamentos no âmbito do futuro Regulamento de Serviços de Pagamento (PSR) e do futuro quadro da UE para o combate à fraude online.
No entanto, a Revolut nota que a rápida escalada da fraude através de plataformas online exige esforços intensificados. Consequentemente, a empresa apela às autoridades para que reforcem as regulamentações existentes — particularmente no que diz respeito à responsabilidade e supervisão das plataformas digitais — e que deem prioridade a medidas preventivas mais ambiciosas para proteger eficazmente os cidadãos contra estas ameaças emergentes.
Segundo Woody Malouf, Head of Financial Crime da Revolut, “o rápido crescimento das burlas com origem no Telegram mostra a velocidade com que as táticas criminosas se adaptam. A Revolut está a processar milhares de milhões de pontos de dados para se manter na vanguarda, mas o ecossistema digital é apenas tão forte quanto o seu elo mais fraco. Precisamos que as empresas de redes sociais assumam as suas responsabilidades. Proteger os utilizadores deve ser uma prioridade partilhada por todo o setor, incluindo as plataformas onde estas burlas nascem”.
Este artigo foi escrito no âmbito da colaboração com o Link to Leaders