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Durante anos evitei a desarrumação a todo o custo — o que não percebi foi como isso estava a influenciar a forma como penso e decido todos os dias – Notícias de hoje


Há quem não dispense uma casa impecavelmente arrumada. E há quem diga que só consegue pensar no meio do caos. Há quem prefire um escritório impecável, com secretárias quase vazias e objetos alinhados. E quem fique mais confortável num espaço aberto, com papéis, decoração, cores e pessoas a falar. Durante anos, esta diferença foi vista como uma questão de personalidade, mas a Ciência sugere que o ambiente pode ter um papel mais direto do que se imaginava na nossa forma de estar, pensar e agir. 

Um estudo conduzido por Kathleen D. Vohs, Joseph P. Redden e Ryan Rahinel, da Universidade do Minnesota, conclui que a ordem e a desordem influenciam de forma distinta as nossas escolhas, preferências e comportamentos.

O que diz o estudo 

O estudo “A ordem física promove escolhas saudáveis, generosidade e convencionalidade, enquanto a desordem promove criatividade” analisou como diferentes ambientes físicos afetam decisões do dia a dia.

As conclusões são claras, mas vêm pôr em causa a ideia frequente de que ser “arrumado é melhor”.

Principais resultados:

Os ambientes organizados estão associados a:

Os ambientes desorganizados estão associados a:

Um espaço arrumado pode influenciar escolhas mais convencionais

Num dos testes, os participantes colocados numa sala organizada escolheram snacks mais saudáveis e mostraram-se mais propensos a doar dinheiro. Segundo os autores, estes resultados estão ligados ao facto de a ordem ativar uma mentalidade de convenção e tradição, levando as pessoas a alinhar com normas socialmente valorizadas.

E a desarrumação? Pode estimular a criatividade (num contexto específico)

Noutro teste, os participantes em ambientes desorganizados tiveram melhor desempenho numa tarefa clássica de criatividade (gerar usos alternativos para um objeto).

Além disso, quando confrontados com escolhas, mostraram maior preferência por opções apresentadas como “novas”, em contraste com os participantes em ambientes organizados, que tenderam a preferir opções “clássicas”.

Importa sublinhar que o estudo mede criatividade num contexto experimental específico, não avaliando outros tipos de desempenho ou resultados mais amplos.

Nem melhor nem pior, apenas diferente

A principal conclusão dos investigadores é que não existe um ambiente universalmente superior.

  • A ordem pode favorecer comportamentos alinhados com normas, bem-estar e escolhas estruturadas

  • A desordem pode favorecer abordagens menos convencionais em tarefas criativas

O que podemos retirar disto no dia a dia

Mais do que escolher entre arrumação ou desarrumação, a investigação sugere algo mais útil:
o ambiente pode ser ajustado ao objetivo.

  • Para tarefas que exigem foco, estrutura ou decisões alinhadas com regras, devemos proporcionar ambientes organizados

  • Para tarefas que beneficiam de pensamento divergente, podemos optar por criar ambientes menos estruturados

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