Há um novo padrão silencioso a emergir no casamento. Se durante décadas se falou sobretudo de homogamia, isto é, a tendência para casarmos com alguém com o mesmo nível de escolaridade, hoje a realidade parece estar a mudar. Como escreve a revista The Atlantic, nos Estados Unidos é cada vez mais evidente o crescimento da hipogamia, ou seja, mulheres a casarem com homens menos escolarizados do que elas.
Num contexto em que menos pessoas namoram, casam ou têm filhos, alguns influenciadores começam a defender que faltam “bons partidos” para as mulheres modernas, mais qualificadas e independentes. Ao mesmo tempo, uma crescente “esfera masculina” culpa o avanço feminino pelas dificuldades sentidas por muitos homens.
Ainda assim, a própria The Atlantic sublinha que o aumento de casais hipogâmicos mostra outra realidade: apesar das diferenças, homens e mulheres continuam a fazer o que sempre fizeram: formam casal e encontram formas de fazer resultar a relação.
Mas o fenómeno levanta perguntas importantes. O que leva estas mulheres a escolher parceiros menos escolarizados? A socióloga Nadia Steiber, citada pela The Atlantic, alerta que não sabemos se estes casais são necessariamente mais progressistas. Aliás, homens com menos escolaridade tendem a ter visões mais tradicionais sobre papéis de género, o que pode indicar que as mulheres que os escolhem também não rejeitam, à partida, modelos mais convencionais.
Na realidade norte-americana, a conclusão é simples: não havendo homens licenciados suficientes, muitas acabam por casar com homens com menos estudos. E investigações em vários países apontam na mesma direção: a hipogamia parece ser menos uma revolução de preferências e mais uma resposta à disponibilidade real de parceiros.