Aos 34 anos, Julia Holden investiu cerca de 14 mil euros das suas poupanças pessoais para criar um negócio paralelo inspirado na própria experiência como mãe. A ideia surgiu em fevereiro de 2024, quando percebeu que o filho recém-nascido adormecia mais depressa sempre que lhe tapava suavemente os olhos com um pano. Como não encontrou no mercado um produto confortável e seguro que cumprisse essa função, decidiu criar ela própria um gorro para bebés com uma pala integrada para cobrir os olhos: assim nasceu a Sleepy Hat.
Sem investidores, sem equipa e apenas com a ajuda pontual da família, Julia foi construindo o projeto em blocos de 20 minutos entre amamentações, enquanto trabalhava a tempo inteiro na área da publicidade. Ao longo de um ano, ultrapassou o orçamento inicial previsto para desenvolvimento do produto, produção de protótipos, criação de marca, registo de domínio e construção do site. Os primeiros modelos tiveram erros de fabrico e chegaram mesmo a resultar em prejuízo, mas acabou por conseguir aperfeiçoar o design e encomendar 1.500 unidades.
A loja online foi lançada em setembro de 2024, mas as vendas arrancaram lentamente. No final desse ano, tinha faturado menos de 2.000 dólares. A viragem deu-se quando começou a vender na Amazon e a investir em conteúdos no TikTok, onde alguns vídeos se tornaram virais entre mães que se identificavam com as dificuldades na hora de adormecer os filhos. Desde junho de 2025, o negócio passou a gerar receitas mensais de cinco dígitos, atingindo mais de 90 mil dólares em dezembro e cerca de 69 mil em janeiro.
Em outubro, Julia despediu-se do emprego, onde ganhava 95 mil dólares por ano, para se dedicar exclusivamente à Sleepy Hat. A empresa já é lucrativa, embora a fundadora tenha reinvestido grande parte dos ganhos no crescimento da marca, incluindo publicidade online e a contratação de dois colaboradores a tempo parcial. Em 2025, pagou a si própria apenas 2.500 dólares, vivendo sobretudo das poupanças e do rendimento do marido.
Apesar do ritmo exigente — trabalha entre 30 e 60 horas por semana enquanto cuida de um filho de dois anos — Julia diz sentir-se mais realizada. O objetivo agora é aumentar gradualmente o próprio salário e, no próximo ano, superar os rendimentos que tinha no antigo emprego. Pelo caminho, reconhece que tem aprendido a gerir melhor as finanças e a confiar mais na sua intuição — mesmo quando lhe diziam que lançar um negócio logo após a maternidade não era boa ideia.