O Secret Story regressou à televisão portuguesa e, tal como seria de esperar, foi um verdadeiro estrondo de audiências, porque, convenhamos, se há coisa que nunca falha neste país é a devoção quase religiosa a este tipo de formatos.
O estúdio é praticamente o das últimas edições, com ligeiras modificações que o tornaram mais amplo, acolhedor e moderno, uma espécie de “remodelação low cost”, mas eficaz. Já a casa está totalmente irreconhecível. Renovada de alto a baixo, inspirada em vários países e cidades, apresenta-se ao nível das casas do Big Brother Brasil. E ficou a sensação de que ainda só vimos a ponta do icebergue.
A internet, esse barómetro sempre fiável, e o país parecem rendidos aos novos inquilinos da casa mais vigiada de Portugal. Os concorrentes fizeram questão de se destacar na gala de estreia, e alguns deram mesmo nas vistas. Nunca me lembro de uma edição com tantos casais; isto mais parece a “Casa dos Casais”. Mas pronto, é apenas um dos ingredientes secretos que promete dar asas a discussões, ciúmes e, quem sabe, umas quantas lágrimas estratégicas.
O João dificilmente será esquecido tão cedo, ou não tivesse surgido na gala vestido como um lutador de wrestling, porque a subtileza é claramente sobrevalorizada. E já que falamos do João, a sua ex-paixoneta, Catarina, também entrou na casa. Ele fingiu que não a conhecia, mas mal sabe ele que cá fora já ninguém compra essa narrativa. Ansioso? Bastante. Ingénuo? Nem por isso.
Ana e Ricardo João conquistaram o público, não pelos egos desmedidos, mas pela aparente capacidade de jogo e poder de encaixe. A verdade é que o jogo já começou, e começou a sério. A Sara foi rapidamente posta de parte e até levou com uma nomeação direta. Surpresa? Nenhuma. Entrou de pés juntos, senhora do seu nariz, mas o santo dos restantes concorrentes não bateu com o dela. E já se sabe: quando o santo não bate, o destino costuma ser o confessionário… com voto incluído.
João e Hugo guardam um segredo inédito que envolve decisões do exterior. É caso para dizer que o “mundo real” vai entrar na casa e trocar-lhes as voltas mais vezes do que eles imaginam. Porque se há coisa que este programa adora, é brincar aos deuses com a vida alheia.
E claro, falar de Secret Story é falar de segredos. Há os básicos, os banais e depois há os que prometem abalar o jogo. Cá fora já se fazem apostas sobre a quem pertencem os segredos como: “Mudei de sexo”, “Fui abandonado/a pelo meu pai no dia em que a minha mãe morreu” ou “Fui operado ao pénis no dia do apagão”. Dramático? Sem dúvida. Coincidência? Talvez. Estratégia? Quase de certeza.
A gala de ontem foi tão intensa e carregada de informação que parece que já passaram dois dias. E ainda só vamos no início. Se o arranque foi assim, imagino o que aí vem. Ou melhor… nem imagino, mas vou ficar a ver. Como quase toda a gente.