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No âmbito do Dia Internacional da Mulher, que se assinala no próximo domingo, a empresa Claire Joster People first, do Grupo Eurofirms, revelou as conclusões de uma análise efetuada aos indicadores do mercado laboral nacional, registando que, apesar da população ativa feminina ter atingido um recorde de 2,8 milhões de mulheres no último trimestre de 2025 (um crescimento de 2,6% face ao ano anterior), as barreiras estruturais continuam evidentes.
Isto porque a taxa de desemprego feminina, com 6,5%, continua a ser superior à dos homens, que anda nos 6%, o que, por um lado, reflete dificuldades persistentes na integração plena do talento feminino e, por outro, evidencia uma maior dificuldade na absorção do talento feminino pelo mercado laboral.
A análise aos indicadores nacionais aponta também para uma mudança gradual na distribuição ocupacional entre homens e mulheres. As atividades de saúde humana e apoio social continuam a ser o principal empregador feminino (representando 16,7% do total de mulheres empregadas), ao mesmo tempo que se registam subidas expressivas em áreas tradicionalmente masculinas. É o caso do setor da construção onde a presença feminina disparou 22,2%, e das atividades imobiliárias onde cresceu 16,9%, sinalizando uma nova dinâmica na ocupação de funções habitualmente segregadas.
Discrepância regional
No que respeita a dados regionais, também nestes se verificam disparidades na percentagem de participação feminina no mercado de trabalho. Por exemplo, a Região Autónoma da Madeira e a região Centro do país registam os crescimentos mais expressivos da população ativa feminina no último trimestre de 2025, com aumentos de 5,3% e 5,9%, respetivamente.
Já o Algarve registou um crescimento de 3,9% e a Grande Lisboa de 3,2%. Com um ritmo mais moderado, temos o Alentejo com um aumento de 1%, e o Norte, com um crescimento na ordem dos 0,8%.
Variações à parte, os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmam que Portugal caminha para uma representação paritária em termos de volume de força de trabalho em quase todo o território. Atualmente, a média nacional de mulheres na população ativa fixa-se nos 49,5%. Todavia, em regiões como a Grande Lisboa, a Península de Setúbal e o Algarve as mulheres já representam metade, ou a maioria, da população ativa.
Remuneração desigual
Com as mulheres a ganharem, em média, menos 15,4% do que os homens, a desigualdade salarial continua a ser uma das grandes discrepâncias do mercado de trabalho. A desigualdade é particularmente crítica em funções onde a diferença de género é mais acentuada. Vejamos: nos postos de operação de instalações e máquinas, as mulheres ganham menos 25%; nas funções de técnicos e profissões de nível intermédio, a disparidade é de 22,3%; e nos cargos de direção e gestão, a diferença salarial atinge os 18,7%.
Este artigo foi escrito no âmbito da colaboração com o Link to Leaders